Primor em Cena
A luminosidade no clássico do cinema internacional
Com três indicações ao Oscar (Fotografia, Direção de Arte e Figurino), o filme “Moça com Brinco de Pérola” tem suas raízes fotográficas marcadas nas obras do pintor holandês Johannes Vermeer, que é reverenciado pela serenidade das imagens que produzia. Talento indiscutível, sua obra influenciou Tracy Chevalier que publicou um livro homônimo, e Olivia Hetreed que roteirizou a história para o cinema, em 2003.

O português Eduardo Serra foi o responsável pela direção de fotografia do filme, e teve o cuidado de produzir o longa-metragem a partir dos quadros do holandês. “Ele transita pelo ambiente da cidade. São momentos que nos aproximamos das pinturas de Veermer”, explica Roberto Tietzmann, Mestre em Comunicação Social com especialização em produção cinematográfica.
No filme não há muitos conflitos e as circunstâncias transcorrem de uma forma mais tranquila, sendo utilizados alguns recursos de iluminação para a reprodução das cenas.
“Isso nos sugere que estamos vendo as pinturas em movimento. É um trabalho de fotografia que consegue levar o cinema para além do mero registro de uma situação que acontece perante a câmera. Há um controle desses elementos de modo a transformar essa luz em algo expressivo”, afirma o especialista.
Tietzmann também acredita que a iluminação do filme comprova que a imagem pode ser uma representação extremamente fiel da realidade, e ainda assim encontrar uma beleza no cotidiano.
Foto: Scarlett Johansson como a camponesa Griet